A Marcha dos 50 mil foi uma das maiores demonstrações públicas do movimento Integralista no Brasil, ocorrida em 1 de novembro de 1937, na cidade do Rio de Janeiro, então capital federal. Organizada pela Ação Integralista Brasileira (AIB), sob a liderança de Plínio Salgado, oficialmente, a marcha celebrava o centenário do General Couto de Magalhães, folclorista que se dedicou ao estudo dos índios brasileiros. Na realidade tratou-se de uma demonstração de força, reunindo dezenas de milhares de militantes conhecidos como camisas-verdes.

Contexto histórico Desde sua fundação em 1932, o Integralismo crescia rapidamente, implantando núcleos em todos os estados brasileiros, saindo de cerca de 20 000 militantes em 1933 para mais de 1 500 000 em novembro de 1937. Sendo a AIB um dos primeiros movimentos político-sociais a utilizar deste tipo de manifestações públicas como forma de divulgação de sua doutrina, resumida no lema “Deus, Pátria e Família”, em defesa da ordem, moral e espiritual. O Brasil se encaminhava para os meses decisivos das eleições presidenciais de 1938 que ocorreriam em 3 de janeiro, na qual Plínio Salgado se apresentava como o principal candidato.

O evento Em 48 horas a AIB se organizou para a maior marcha integralista de sua história, com contingentes vindo de todo o Rio de Janeiro e de estados vizinhos, por meio de caminhões, carroças, bondes, ônibus e trens. No transcorrer do dia a marcha foi realizada dentro da ordem e da disciplina, sem incidentes adversos, contando com a participação de brasileiros diversas profissões, classe sociais e origens, incluindo a presença de oficiais e praças do Exército e Marinha, todos fardados. Segundo depoimento de Gerardo Mello Mourão, a marcha atravessou o centro da capital da República, o Rio de Janeiro, até chegar ao Palácio do Catete. A marcha estendeu-se por vários quilômetros, organizadas em colunas de oito, com o chamado Chefe Nacional à frente. Durante a marcha, ao passar pelas praças, chamadas de estações cívicas, cada uma delas em homenagem a um vulto histórico brasileiro, como Caxias e Tamandaré, o Chefe Nacional falava algumas palavras e dava o tom de epopeia à marcha integralista. Na sacada do Palácio, o Presidente Getúlio Vargas, ao lado do General Newton Cavalcanti e do Almirante Dario Paes Leme assistiram ao desfile. Após a marcha, até altas horas da noite houve manifestações políticas populares de civis e militares em apoio a mensagem política transmitida pela marcha.

O “Desastre de Mesquita” Após a Marcha, os integralistas começaram a retornar para suas casas. Um grupo que seguia de trem para São Paulo sofreu um acidente às 02h50 de 2 de novembro de 1937, na altura da estação Mesquita, resultando em dezenas de feridos e três mortos: Bernadino Marques da Silva, Saturnino de Almeida Paiva e Almerindo José de Mello Tavares. Integralistas detiveram um homem que estava sabotando os vagões, enquanto o Exército prendeu outros cinco indivíduos armados com facões perto da estação; o general Newton Cavalcanti declarou tratar-se claramente de um atentado comunista. Entretanto, com o golpe do Estado Novo e a crescente repressão ao próprio Integralismo, o inquérito sobre o caso foi encerrado e os suspeitos acabaram liberados.

Significado De imediato, a Marcha dos 50 mil foi considerada um grande triunfo e demonstração de poder do Chefe integralista, a maior marcha em toda história da AIB. Porém, pouco tempo após a marcha o partido deixaria de existir, sendo extinto com a decretação da ditadura varguista. De acordo com o pesquisador Ivan Alves, a manifestação teria estimulado Getúlio Vargas a agir contra o Integralismo, por demonstrar ser uma força de poder social-política significativa na conjuntura nacional e que poderia ameaçar a continuidade do seu governo. Porém, a ordem para dissolver o partido Integralista teria vindo diretamente de Franklin D. Roosevelt, presidente dos Estados Unidos. Oswaldo Aranha, embaixador do Brasil em Washington, teria transmitido a exigência à Getúlio Vargas, que atendeu a demanda de seu homólogo.

Referências