Carmela é uma ópera em um ato do compositor gaúcho José de Araújo Vianna, com o libreto de Leopoldo Brígido (originalmente em português, posteriormente traduzido para o Italiano por Heitor Malaguti). Estreou no Theatro São Pedro de Porto Alegre em 17 de outubro de 1902.
Foi a primeira ópera composta por Viana e sua primeira grande obra, composta quando o mesmo tinha apenas 28 anos. Sua estreia foi um grande sucesso, recebendo os mais calorosos elogios da crítica e do público. O jornal A Federação, em sua crítica da estreia, chegou a comentar que a obra "é uma estreia de um compositor, mas não é o trabalho de um principiante". O seu enredo narra a história de uma jovem atormentada pelo seu passado trágico (uma infância difícil), cobiçada por um rapaz, mas sem retornar os seus sentimentos.
Histórico de encenações da ópera Após a sua triunfante estreia em Porto Alegre, a ópera foi levada ao Rio de Janeiro em 1906, quando foi apresentada no então Theatro São Pedro de Alcântara (hoje conhecido como Teatro João Caetano), sendo recebida com muito entusiasmo pelo público carioca. Mais tarde, Viana viajou para São Paulo e Buenos Aires, onde apresentou a sua ópera com o mesmo sucesso. Além de Porto Alegre, onde a ópera continuou sendo uma favorita do público, sempre sendo apresentada com casas cheias, Carmela também foi encenada em outras cidades do Rio Grande do Sul, como Pelotas e Rio Grande. Chegou-se até a afirmar que Carmela superou todas as expectativas, e era a ópera brasileira mais apresentada atrás das obras de Carlos Gomes. Mesmo depois de tanto sucesso, Carmela gradualmente caiu em obscuridade e sua partitura chegou a ser perdida. Em 1994, a redução para piano e voz da ópera completa foi achada pelo historiador Décio Andriotti. Informada da descoberta da partitura pelo próprio Andriotti, a OSPA se movimentou para reapresentar a ópera, após quase um século. Como a partitura orquestral original ainda segue perdida, a ópera teve de ser re-orquestrada pelo maestro Ion Bressan. Foi essa versão, com nova orquestração, que reestreou em 1999 no Theatro São Pedro de Porto Alegre. A performance foi gravada e publicada na internet; além de também estar disponível em CD.
Personagens Não se tem informações sobre o elenco de sua estreia em 1902.
Sinopse Local: Ilha de Capri, Itália Ato Único Uma aldeia de pescadores em Capri Ruffo, um pescador, avista um barco atracar na ilha. Dele descem Carmela, que veio visitar a mãe, e Cura, um padre. Renzo, também um pescador, é apaixonado por Carmela, e sempre busca o seu amor quando a mesma vem visitar a ilha. Ruffo zomba de seu amor e da própria Carmela, mas Cura o repreende, exalta a bondade da jovem e diz que Renzo é um rapaz digno. Carmela, por sua vez, está mergulhada em um estado de profunda tristeza. Cura pergunta o que há de errado, e Carmela responde que sofre muito ao lembrar de sua difícil infância, marcada por um pai que bebia e abusava de sua mãe. Renzo suplica para que Carmela aceite o seu amor, mas ela responde que só existe lugar para a dor em seu coração. Após a saída de Carmela e Cura, os pescadores se reúnem na praça da aldeia e festejam ao som de uma tarantella. Ruffo, bêbado, volta a implicar com Renzo e diz conhecer segredos da jovem Carmela. Renzo, enfurecido ao ver a sua amada insultada, desafia Ruffo para um duelo. Ruffo apunhala Renzo nas costas durante o conflito e foge. Renzo, mortalmente ferido, grita o nome de Carmela e implora para os aldeões que a tragam a ele. Quando ela chega, se desespera ao ver o amado à beira da morte e implora para que ele viva, e diz que sempre o amou, mesmo não conseguindo se expressar diante da dor que carrega consigo. Renzo, tomado de alegria, se despede e morre nos braços da amada, assim encerrando a ópera.
Referências