A proibição das bets no Brasil provocou um tombo nas ações de empresas ligadas ao mercado de apostas nesta segunda-feira (28). Companhias negociadas nos Estados Unidos e na Europa chegaram a cair até 34% , enquanto algumas já reduziram projeções financeiras diante da possibilidade de perder um dos mercados mais importantes para a expansão do setor. A maior queda foi registrada pela Better Collective, empresa que recebe parte de sua receita ao direcionar apostadores para operadoras. As ações chegaram a recuar 33,8% na Bolsa de Estocolmo durante o pregão. A Flutter Entertainment, dona da Betfair e da Betnacional, caiu cerca de 6,5% em Nova York. Antes da abertura dos mercados, a companhia estimou que a proibição brasileira pode retirar US$ 70 milhões (cerca de R$ 365 milhões) de sua receita em 2026 e reduzir em US$ 20 milhões (R$ 104 milhões) seu resultado operacional ajustado. O movimento ocorre no primeiro pregão após o governo federal publicar, na sexta-feira (25), uma medida provisória que proíbe a exploração de apostas esportivas e jogos online no Brasil. Novos depósitos já estão impedidos, enquanto sites e aplicativos terão de sair do ar em 6 de outubro. Ações de bets despencam pelo mundo Além da Better Collective e da Flutter, outras empresas com negócios ligados ao mercado brasileiro terminaram pressionadas. A Entain, responsável por marcas como Sportingbet e Betboo, recuava 3,85% em Londres no levantamento do UOL. A Allwyn, que detém participação de 36,75% na Kaizen Gaming International, dona da Betano, caía 4,65%. Já a Betsson apresentava baixa de 1,83%. Fornecedores de tecnologia para o setor também foram atingidos. A Playtech recuava 2,83%, a Evolution perdia 3,14% e a Kambi caía 1,44%. A MGM Resorts, sócia da Globo na operação brasileira da BetMGM, destoava do grupo e registrava leve alta de 0,15%. As quedas refletem principalmente a importância que o Brasil ganhou para as empresas desde a abertura do mercado regulado, em janeiro de 2025. A Entain esperava obter aproximadamente 5% de sua receita líquida de jogos online no Brasil em 2026. A Flutter, por sua vez, tinha cerca de 1% da receita total ligada ao país no fim de 2025, mas via o mercado brasileiro como uma frente relevante de crescimento. A Better Collective projetava aproximadamente 45 milhões de euros, cerca de R$ 275 milhões, em receitas brasileiras neste ano. Após a proibição, reduziu a previsão de crescimento orgânico de 7% a 12% para uma faixa de 3% a 8%, suspendeu suas metas financeiras para 2027 e 2028 e interrompeu um programa de recompra de ações. A Entain também revisou suas projeções. Caso a medida seja mantida, a empresa espera agora crescimento entre 4% e 6% da receita líquida de jogos online em 2026, abaixo da previsão anterior de 5% a 7%. Por que as bets foram proibidas no Brasil? A medida provisória assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva proíbe a exploração, oferta, intermediação e publicidade das apostas de quota fixa, incluindo apostas esportivas e jogos online. Loterias autorizadas por outras legislações não foram incluídas na proibição. O governo justificou a decisão pelos impactos das apostas no endividamento das famílias e na saúde pública . Segundo o Ministério da Fazenda, brasileiros gastam aproximadamente R$ 60 bilhões por ano em apostas online. A MP já está em vigor, mas precisa ser aprovada pelo Congresso Nacional para continuar valendo. O texto tem vigência inicial de 60 dias e pode ser prorrogado uma vez pelo mesmo período, totalizando até 120 dias enquanto tramita no Legislativo. As empresas licenciadas também contestam a medida. A Flutter informou que avalia as alternativas disponíveis, incluindo um possível recurso, enquanto entidades do setor argumentam que a proibição pode direcionar apostadores para plataformas ilegais. Até quando é possível retirar dinheiro das bets? Desde 25 de setembro, as plataformas não podem mais aceitar novos depósitos. Usuários que ainda possuem dinheiro nas contas têm até as 23h59 de 5 de outubro para solicitar voluntariamente o saque. Os sites e aplicativos deverão sair do ar no dia seguinte. Entre 7 e 8 de outubro, as operadoras terão de informar aos bancos os saldos ainda existentes, vinculados ao CPF de cada cliente. As instituições financeiras deverão devolver esses valores entre 9 e 14 de outubro. Se houver algum impedimento para o pagamento, os recursos serão encaminhados à Caixa Econômica Federal, que ficará responsável pela devolução ao apostador a partir de 14 de outubro. Veja também no Canaltech: Operadoras terão que bloquear sites de bets no Brasil a partir de 6 de outubro [object Object]






