Quem nunca comprou um suplemento, uma roupa nova de academia ou algum produto fitness cheio de vontade de começar uma rotina mais saudável, mas acabou deixando tudo de lado depois de algum tempo?Eu já vi esse filme e talvez você também.A verdade é que nem tudo o que desperta nossa curiosidade consegue conquistar um espaço definitivo no dia a dia. Alguns produtos viram companheiros de treino, enquanto outros acabam esquecidos no armário. Mas o que faz essa diferença?Qualidade, praticidade, confiança e identificação com uma marca podem ajudar a explicar por que algumas compras se repetem e outras ficam restritas à primeira experiência. E entender esse comportamento vai além das estratégias de venda: também ajuda a refletir sobre como construímos nossos hábitos de consumo em torno da vida saudável.Para Leandro Capolupo, CMO e cofundador da BonifiQ, empresa especializada em estratégias de fidelização e engajamento de consumidores, o desafio das marcas é transformar a experimentação em um relacionamento duradouro.“Esses comportamentos reforçam que a recompra não depende apenas da primeira experiência com o produto, mas também da capacidade da marca de se aproximar, conhecer e manter um relacionamento relevante com o consumidor ao longo do tempo”, afirma Leandro.No universo fitness, a decisão de comprar novamente não depende de um único fator. A qualidade do produto e o resultado percebido ajudam a sustentar a escolha, enquanto características como sabor e praticidade podem facilitar sua inclusão no dia a dia.O preço também influencia a avaliação do custo-benefício, e a confiança na marca pode tornar a decisão de compra mais simples.“Não existe recompra sem qualidade de produto ou serviço”, diz Capolupo. Segundo ele, estratégias de fidelização podem fortalecer essa relação, mas não substituem uma experiência satisfatória.Na prática, isso significa que um produto pode chamar a atenção por uma campanha ou pelo desconto oferecido, mas precisa corresponder às expectativas para continuar na lista de compras.O caminho entre experimentar e criar um hábito varia conforme a categoria e as necessidades de cada pessoa.Suplementos e vitaminas, por exemplo, podem ter um ciclo de consumo relativamente previsível para quem já os utiliza como parte de uma rotina de alimentação e atividade física. Nesse caso, a recompra está relacionada tanto à continuidade do uso quanto à facilidade de encontrar e adquirir o produto.Já no segmento de roupas fitness, a decisão pode envolver outros aspectos, como identificação com o estilo da marca, exclusividade e sensação de pertencimento. “Quando a pessoa se sente parte dessa ‘tribo’, a novidade vira rotina”, explica o especialista.A praticidade também tem papel importante nesse processo. Quanto mais simples for encontrar, comprar e receber um produto, menores serão as barreiras para repetir a experiência.Para as marcas, entender o ciclo de consumo pode ajudar a estabelecer uma comunicação mais adequada. Em vez de enviar mensagens promocionais constantemente, é possível considerar o momento em que determinado produto provavelmente precisará ser reposto.O consumo relacionado à atividade física também ultrapassa os limites da academia. Suplementos, roupas, acessórios e experiências podem integrar um estilo de vida que envolve saúde, bem-estar e identificação pessoal.Segundo Capolupo, o consumidor passou a buscar não apenas desempenho, mas também qualidade, praticidade, confiança e conexão com as marcas.Nesse cenário, as redes sociais e os influenciadores ajudam a despertar o interesse e a estimular a primeira compra. A credibilidade de quem recomenda um produto pode reduzir as dúvidas iniciais, enquanto cupons e descontos funcionam como incentivo à experimentação.Mas conquistar um consumidor não significa necessariamente mantê-lo. Para isso, a experiência com o produto precisa corresponder às expectativas criadas antes da compra.Uma tendência pode gerar grande curiosidade e movimentar as vendas por um período. A continuidade das compras, por outro lado, ajuda a entender se o produto conquistou espaço na rotina ou se o interesse estava ligado principalmente à novidade.A frequência de compra é um indicador importante para as marcas, mas precisa ser analisada com cuidado. Um consumidor pode voltar a comprar porque realmente gosta do produto, porque precisa repor um item de uso recorrente ou porque encontrou uma condição comercial vantajosa.Por isso, observar apenas o volume de vendas não é suficiente para compreender o relacionamento com o público. Também importa avaliar a frequência das compras, o intervalo entre elas e as preferências de cada consumidor.Dados apresentados pela BonifiQ ilustram essa relação. Segundo a empresa, consumidores de suplementos e vitaminas engajados em estratégias de fidelidade fizeram, em média, o dobro de compras em comparação com aqueles que não participavam dessas iniciativas, considerando o mesmo período.No segmento de moda fitness, os clientes engajados em programas desenvolvidos pela companhia compraram cerca de três vezes mais e apresentaram um tíquete médio aproximadamente 20% maior.Os números mostram uma associação entre o engajamento em programas de fidelidade e o comportamento de compra desses grupos. No entanto, isoladamente, não comprovam que os programas sejam a única causa das diferenças observadas.E quando o assunto são produtos ligados à saúde e ao bem-estar, a fidelização também exige responsabilidade. Nem todo consumidor precisa comprar mais, com maior frequência ou acumular produtos para manter uma rotina saudável.No caso dos suplementos, por exemplo, a escolha e a necessidade de uso devem considerar as características e os objetivos de cada pessoa, preferencialmente com orientação de um profissional de saúde quando indicada.Para Capolupo, as marcas podem usar dados de comportamento para tornar a comunicação mais relevante, respeitando o ciclo de consumo de cada categoria e evitando estímulos indiscriminados: “Fidelizar não é fazer o cliente comprar mais, é fazer com que ele lembre do seu produto e o tenha como primeira opção de compra”, afirma.Isso também envolve oferecer conteúdo útil, benefícios que façam sentido, boas experiências e oportunidades de conexão com a comunidade. Em vez de depender exclusivamente de descontos, a relação pode ser construída a partir da confiança e da capacidade de atender a uma necessidade real.No fim, transformar um produto fitness em hábito não significa simplesmente aumentar a frequência de consumo. Significa fazer com que ele continue sendo uma escolha relevante quando houver motivo para comprá-lo novamente.E você, tem algum produto fitness que não pode faltar na sua rotina? ✅Fique por dentro das principais notícias do dia no Brasil e no mundo. Siga o canal do R7, o portal de notícias da Record, no WhatsApp


















