Os planos de governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), adversários no segundo turno, tratam a inteligência artificial (IA) como ferramenta para modernizar os serviços públicos e impulsionar a economia. As propostas se aproximam na digitalização de serviços e no uso da tecnologia no SUS, mas partem de visões diferentes sobre quem deve conduzir esse desenvolvimento.O tema tem mais peso no programa de Flávio. Segundo levantamento do Laboratório Interdisciplinar de Inteligência Artificial para Métodos, Democracia e Sociedade (labiiia), o plano de Lula menciona a inteligência artificial 11 vezes, e o de Flávio, 21.O programa de Lula coloca a soberania digital no centro da agenda, com investimento público em infraestrutura, pesquisa e tecnologia nacional. Entre as propostas estão supercomputadores desenvolvidos e operados por instituições brasileiras, modelos de linguagem em português e maior integração entre universidades, empresas e centros de pesquisa. O plano também cria um Conselho Nacional pela Soberania Digital, com participação da sociedade.Na saúde, a IA seria usada no SUS para triagem, priorização de casos graves e organização das filas conforme o risco clínico, além de apoiar diagnósticos em regiões com falta de especialistas. Para os centros de dados, o programa defende eficiência energética e uso de fontes renováveis, considerando os impactos sobre o abastecimento de água e energia. Agronegócio e finanças aparecem entre os setores em que a aplicação da tecnologia deve ser ampliada.No plano de Flávio, a IA é sobretudo uma ferramenta de desburocratização. O programa Brasil sem Fila prevê digitalizar todos os serviços federais que possam ser oferecidos pela internet e usar a tecnologia para organizar agendas na saúde, com prontuário eletrônico único vinculado ao CPF.Outra proposta é a ClarIA, assistente virtual ligada ao programa Brasil por Elas, voltado às mulheres, que tiraria dúvidas sobre segurança, agendamento de exames e acesso a crédito.Para a economia, o candidato defende uma estratégia nacional de IA para aumentar a produtividade de empresas de diferentes portes, em setores como indústria, agronegócio, saúde e logística, com estímulo a startups, parques tecnológicos, patentes e parcerias entre universidades e empresas. A capacitação em inteligência artificial entra em iniciativas de formação profissional, como a Escola Brasil por Elas.Os dois programas preveem o uso de satélites e IA para combater crimes ambientais. Flávio fixa a meta de zerar o desmatamento ilegal até 2029, e Lula, a de alcançar desmatamento líquido zero até 2030.A principal diferença está em quem conduz o processo. No plano de Lula, o Estado aparece como indutor, com infraestrutura computacional própria e regulação das plataformas digitais. No de Flávio, a IA é apresentada como meio de reduzir custos e burocracia da máquina pública, em um programa que também defende privatizações e equilíbrio fiscal.O levantamento do labiiia aponta ainda diferenças no detalhamento. Segundo o laboratório, o plano de Flávio não define indicadores para acompanhar metas de fila, qualidade e inclusão digital, enquanto o de Lula é mais claro sobre a execução ao citar ministérios, o programa Nova Indústria Brasil e o BNDES.🗳️Eleições 2026: leia todas as notícias sobre a disputa🤳🏽Fique por dentro das principais notícias do dia no Brasil e no mundo. Siga o canal do R7, o portal de notícias da RECORD, no WhatsApp 📲









