Fábia Oliveira

Após o post da influenciadora, Fabio Bahiense explicou como ângulos, poses e lentes do celular podem transformar as curvas sem edição

Fábia Oliveira

21/10/2026 10:00

Instagram/Reprodução

Virginia Fonseca voltou a chamar atenção nas redes sociais, recentemente, ao publicar uma fotografia com um close no bumbum. A imagem, que destacou as curvas da influenciadora, reacendeu a curiosidade sobre um recurso bastante utilizado por celebridades e criadoras de conteúdo: os truques de fotografia capazes de valorizar determinadas regiões do corpo. Mas será que é possível aumentar visualmente o volume dos glúteos e afinar a cintura apenas com a posição da câmera?

A resposta é sim. Embora não seja possível afirmar que a influenciadora tenha utilizado qualquer técnica específica ou ferramenta de edição na publicação, a fotografia pode alterar significativamente a percepção das proporções corporais.

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Ângulo, distância, postura, iluminação e até a lente do celular interferem no resultado final, criando efeitos que muitas vezes passam despercebidos por quem acompanha as imagens nas redes sociais.
O segredo das imagens
Para o fotógrafo de celebridades Fabio Bahiense, o segredo está na perspectiva. Segundo ele, um dos principais recursos utilizados em ensaios fotográficos é posicionar a região que se deseja destacar mais próxima da câmera, enquanto outras partes do corpo ficam relativamente afastadas.
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David Davies/PA Images via Getty Images
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Look de Virginia Fonseca
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“Existe uma ideia de que, se não houve Photoshop ou filtro, aquela fotografia necessariamente representa exatamente as proporções que enxergaríamos pessoalmente, e não é assim. Fotografia é perspectiva” começou ele, antes de completar:
“Se eu coloco o quadril mais próximo da câmera e afasto a cintura, aquela região que está na frente ganha presença. Se a pessoa ainda projeta o bumbum para trás, gira o tronco, contrai o abdômen e encontra um ângulo lateral favorável, conseguimos criar visualmente uma diferença muito grande. O corpo não mudou em segundos, mudou a forma como ele foi apresentado para a câmera”, explicou.
O “macete”
O chamado “macete” não depende de equipamentos profissionais. Com um smartphone, pequenas mudanças na posição do aparelho podem produzir resultados bastante diferentes. Uma câmera posicionada mais abaixo, por exemplo, pode alongar visualmente as pernas, enquanto o enquadramento lateral e a rotação do tronco ajudam a destacar a diferença entre cintura e quadril.
Outro fator importante é a distância. Quando uma região do corpo está mais próxima da câmera, ela tende a parecer proporcionalmente maior do que as áreas mais afastadas. O efeito pode ficar ainda mais evidente com lentes grande-angulares, comuns nos celulares, especialmente em fotografias feitas a curta distância.
“Você pode fotografar a mesma pessoa com poucos segundos de diferença e produzir duas imagens em que o corpo parece completamente diferente. Uma câmera mais baixa pode alongar determinadas proporções; um celular inclinado modifica as linhas; a grande angular potencializa a perspectiva quando trabalhamos próximos; e a posição do corpo faz o restante”, garantiu o especialista.
E prosseguiu: “Por isso, comparar o próprio corpo com uma fotografia de rede social é muito injusto. Estamos comparando um corpo que vemos em movimento, em três dimensões, com uma imagem escolhida entre várias possibilidades e construída no melhor ângulo”, detalhou.
Importância das luzes
A iluminação também participa dessa construção. Luzes laterais podem acentuar sombras e destacar contornos, enquanto roupas ajustadas, determinadas poses e enquadramentos fechados direcionam o olhar para regiões específicas. O resultado é uma fotografia que valoriza as curvas sem necessariamente representar uma mudança real no corpo.
Nas redes sociais, esse conhecimento deixou de ser exclusivo dos profissionais. Influenciadoras e celebridades aprenderam a identificar os ângulos que mais favorecem suas características, transformando poses e enquadramentos em parte da produção de conteúdo. O que parece um registro espontâneo pode envolver escolhas cuidadosas de luz, posição e perspectiva.
As escolhas
Para Fabio, o problema não está em buscar uma fotografia bonita, mas em interpretar imagens produzidas para valorizar a aparência como referências absolutas de proporção corporal.
“Uma boa fotografia sempre trabalha com escolha. Escolhemos luz, lente, enquadramento, distância e posição. Nas redes sociais, aprendemos também a escolher o ângulo que favorece o corpo. Não há problema em querer sair bem em uma foto. O cuidado é não esquecer que uma fotografia favorecida continua sendo um recorte, e não uma medida objetiva do corpo de ninguém”, disse.
A nova publicação de Virginia mostra como uma única imagem pode despertar discussões sobre beleza, curvas e aparência física. Antes de concluir que uma famosa aumentou o bumbum ou afinou a cintura, vale considerar um detalhe que raramente aparece no enquadramento: a posição da câmera no momento do clique.

