O que faz um governador?

26 Estados e o Distrito Federal elegem seus chefes do Executivo no pleito de 2026. Crédito: Larissa Burchard

Confira o resumo que a LE.IA, a IA do Estadão, fez pra você

Gerando resumo

BRASÍLIA — A governadora Celina Leão (PP) foi reeleita para administrar o Distrito Federal, neste domingo, 25. Com 90% das urnas apuradas, Celina registrou 57,22% dos votos válidos. Leandro Grass (PT) ficou com 42,78%. Considerando os dados da Justiça Eleitoral, o resultado está matematicamente definido.

Celina Leão tem 49 anos, é bacharel em Direito e graduada em Administração de Empresas. É a primeira vez que uma mulher é eleita diretamente para governar o Distrito Federal.

Celina Leão (PP), governadora do Distrito Federal. Foto: Murillo Dantas

PUBLICIDADE

Celina foi deputada distrital e presidiu a Câmara Legislativa do DF entre 2011 e 2016. Em 2018, ela foi eleita deputada federal e comandou a bancada feminina na Casa.

Em 2022, Celina venceu as eleições como vice-governadora na chapa encabeçada por Ibaneis Rocha (MDB). Celina assumiu o Palácio do Buriti em abril deste ano, com o afastamento de Ibaneis, que deixou o cargo para concorrer ao Senado mas desistiu da eleição.

No primeiro turno, Celina Leão teve 825.540 votos e ficou a apenas 168 votos de distância para liquidar a disputa na primeira etapa.
Celina Leão (PP), governadora do Distrito Federal, em ato no último dia de campanha. Foto: Fernando Santos
Eleição marcada por crise do BRB e rombo no orçamento
Celina ganhou a eleição com a promessa de solucionar a crise do Banco de Brasília (BRB), controlado pelo governo distrital. A instituição sofreu um rombo bilionário após as fraudes praticadas com o Banco Master, que pertencia ao banqueiro Daniel Vorcaro.
Publicidade
A governadora havia prometido cobrir o prejuízo do Master no BRB até junho, o que não ocorreu. O governo do Distrito Federal pediu um empréstimo do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), mas não conseguiu a garantia de bancos nem da União para finalizar a operação.
Celina entrou no Supremo Tribunal Federal (STF) para obrigar a União a dar garantia no financiamento, e o processo está nas mãos do ministro Luiz Fux.
O BRB não publicou o balanço financeiro de 2025, mas o prejuízo é calculado pelo menos R$ 8,8 bilhões. O rombo pode ser maior, a depender da auditoria feita nas carteiras do Master que foram parar no Banco de Brasília e do patrimônio final da instituição.
Publicidade
Conforme o Estadão mostrou, a falta de balanço esvaziou os planos dos principais candidatos para o BRB, que temem o fim do banco após as eleições, com uma privatização ou liquidação.
Na semana anterior ao primeiro turno, Celina disse ao Estadão que, com o fim das eleições, o problema do BRB também acabaria e destacou o plano A era manter o banco público. No segundo turno, durante toda a campanha, ela reforçou o discurso de manter o BRB público.
Celina também assumiu o compromisso de reverter o rombo no Orçamento do Distrito Federal. O Tribunal de Contas do DF identificou um rombo de R$ 5,5 bilhões nas contas relativas a 2025. Celina chegou a anunciar que teria um superávit de R$ 3 bilhões em 2026, mas as contas ainda não se efetivaram.
Publicidade
No primeiro semestre, o governo do Distrito Federal registrou um superávit de R$ 1,7 bilhão, mas isso só foi possível com a arrecadação extraordinária após a venda de parcelas da dívida ativa do DF - a chamada securitização que antecipou receitas para os cofres -, e com uma contenção de gastos que podem se acumular no fim do ano ou serem transferidos para o ano que vem.
Na área de mobilidade urbana, Celina prometeu implantar gradualmente a tarifa zero no transporte público. Atualmente, há passe livre aos domingos e feriados.
A campanha de Celina foi marcada pelo discurso de que ela representaria um “novo governo”, em uma tentativa de se descolar de Ibaneis, desgastado pela crise do Banco Master. Ibaneis foi o principal fiador político da compra do Master pelo BRB. O ex-presidente do banco Paulo Henrique Costa, braço direito do ex-governador, foi preso acusado de receber propina do banqueiro Daniel Vorcaro.
Publicidade
Celina venceu a eleição após a saída do ex-governador José Roberto Arruda (PSD) da campanha. Ele estava em segundo lugar nas pesquisas e foi barrado pela Justiça Eleitoral em função da Lei da Ficha Limpa.
Derrotado, o ex-deputado Leandro Grass (PT) enfrentou resistências ao PT na capital do Brasil, pela influência do bolsonarismo e pelo histórico da gestão petista à frente do Executivo distrital.
Vale ler também
Coluna do Estadão
Após prorrogação da votação, presidente da OAB defende respeito ao resultado das urnas
Coluna do Estadão
Advogado aponta falta de fundamentação na decisão de Zanin que prorrogou votação
Coluna do Estadão
Questões técnicas e de imparcialidade impedem reabertura de urnas, diz ex-ministro do TSE


