A Anvisa investiga 13 notificações de suspeita de neuropatia óptica isquêmica anterior não arterÃtica (Noia) em pacientes que usavam medicamentos da classe dos agonistas de GLP-1, indicados para diabetes e obesidade. A doença é rara e pode provocar perda permanente da visão.

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Os casos envolvem Ozempic, Wegovy, Rybelsus e Mounjaro. A relação entre os medicamentos e a doença ainda não foi comprovada. Um estudo encontrou associação entre a semaglutida e maior risco de Noia, mas os próprios pesquisadores apontaram limitações para estabelecer uma relação de causa e efeito.

Estudo com mais de 1,6 mil prontuários encontrou associação entre semaglutida e maior risco de perda de visão causada pela Noia. – Imagem: Alones/Shutterstock

O que mostram as notificações

As 13 notificações fazem parte de um conjunto de 24 suspeitas de neuropatia isquêmica óptica registradas no painel de farmacovigilância da Anvisa desde 2018. Os demais casos envolvem outras classes de medicamentos.

Entre os agonistas de GLP-1, os registros citam:

- Ozempic: 5 notificações;

- Wegovy: 3 notificações;

- Wegovy FlexTouch: 2 notificações;

- Rybelsus: 2 notificações;

- Mounjaro: 1 notificação.

A Anvisa esclarece que as notificações podem se sobrepor entre os medicamentos. No sistema, são 12 registros relacionados à semaglutida e um à tirzepatida.

A Noia ocorre quando pequenos vasos que irrigam a parte frontal do nervo óptico ficam obstruÃdos. O processo reduz o fornecimento de oxigênio e nutrientes para as células nervosas e pode provocar uma perda repentina da visão, geralmente sem dor.

Desde junho de 2025, a condição aparece na bula dos medicamentos com semaglutida, por determinação da Anvisa, como reação adversa muito rara.

O que dizem os estudos

Um estudo publicado na JAMA Ophthalmology analisou mais de 1,6 mil prontuários e encontrou um risco de Noia entre quatro e sete vezes maior em pacientes que receberam semaglutida, em comparação com pessoas que usavam outros medicamentos.
Os pesquisadores ressaltaram, porém, que os dados não permitem estabelecer uma relação de causa e efeito. Muitos dos pacientes também tinham diabetes, condição que pode aumentar a vulnerabilidade dos vasos sanguÃneos e do nervo óptico.
Essa é uma doença rara, mas que a gente tem em alguns pacientes com doenças preexistentes como é o caso da diabetes. Esse tipo de paciente já tem a doença atacando seus vasos, trazendo mais risco. Com isso, fica difÃcil saber se esse paciente já teria a doença pelo quadro dele ou se ele tem porque está usando o medicamento.
Rubens Belfort Neto, oftalmologista, ao g1.
O painel da Anvisa também reúne 74 registros de outras complicações visuais entre usuários das canetas. Visão turva aparece em 37 registros, enquanto comprometimento visual soma 29. Como uma mesma notificação pode apresentar mais de um sintoma, os números não representam necessariamente a quantidade de pacientes.
Quem usa as canetas com indicação médica não deve interromper o tratamento por conta própria. Imagem: JNemchinova/iStock
O que dizem as fabricantes
A Novo Nordisk afirma que uma análise de ensaios clÃnicos, com mais de 83 mil pacientes-ano de observação no grupo que recebeu semaglutida, não identificou aumento na incidência de Noia em comparação com placebo. A empresa também considera favorável a relação entre benefÃcios e riscos da semaglutida.
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A Eli Lilly, fabricante do Mounjaro, afirma que monitora, avalia e comunica à s autoridades informações de segurança relacionadas aos seus medicamentos, incluindo possÃveis questões oftalmológicas.
Para quem usa essas canetas com indicação médica, não há recomendação para interromper o tratamento por conta própria. Em caso de perda súbita ou recente da visão, o paciente deve procurar avaliação médica. Quando há diagnóstico de Noia, as sociedades médicas recomendam a suspensão do medicamento. Pacientes com diabetes também devem manter os exames periódicos da retina.
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A Anvisa continua acompanhando as notificações para verificar se existe uma relação entre os medicamentos e os casos registrados.
Valdir Antonelli
Valdir Antonelli é jornalista com especialização em marketing digital e consumo.
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Tags: anvisa canetas emagrecedoras perda da visão semaglutida


